segunda-feira, 3 de outubro de 2011

(da fase dark)

Ultimamente tenho mantido meu verbo em silêncio,

Antes eu, que era tão soberba em criar,

Agora só penso na gula de receber

Tenho o olhar vago por vontade,

Fixar e perceber as cores é sentir o coração em movimento...

Hoje, ontem e alguns outros muitos dias atrás,

O meu pulso ficou em silencio.

Desconfio que eles fizeram um acordo pela minha sobrevivência

Quando tudo desabou não havia ar

Nem sentido que bombeasse o sangue,

Assim, como lamentar o fim da poesia?


Natasha Barbosa

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Algumas considerações ranzinzas




- Sutileza literária ou covardia amorosa: é imperdoável, mas, por favor, me perdoe. Ahã.

- Acordo, levanto, durmo... Alguém poderia me beliscar trazendo a realidade com um bom livro?

- Aprecio muito a honestidade, mas caso vá mentir ao menos use a imaginação.

- O amor é uma maldade confeitada com açúcar. Bonjour Diabète!






Nah Barbosa







sexta-feira, 5 de agosto de 2011

P.R.S.S.

Café e bolo,

a mãe do pai no abraço que acolhe

a mão que limpa o machucado

o ensino dos temperos

o sorriso que ouve

a paciência que corrige

riso de criança no vestido florido

Era uma vez a minha avó


Café e bolo...

o receio das notícias

a ida ao encontro

reunião na família

expectativa


Café e bolo?!

o excesso de flores

lamentos murmurados

o abraço cúmplice dos primos

a lágrima do filho


Café e bolo.

memória, sorriso, perda

a saída da cidade

o retorno ao lar...


Uma velha foto,

as cores de uma boa vida

Era uma vez a minha avó...

domingo, 29 de maio de 2011

boêmiaaaa....



Lembro das tardes na Lavradio: entardecer nas calçadas, mesas de risos e cores

Ando pelas calçadas apinhadas, esbarro em vestidos alegres e nas bermudas descontraídas

Paraíso? Parada inútil? Todos que ali estão sabem do muito e do pouco que se ganha

Apenas não sabem do pouco e do muito que se perde.


Com licença, amor, porque hoje não é Carnaval e a sem máscara eu sou feliz!


Natasha Barbosa

quarta-feira, 25 de maio de 2011

ESPÓLIO


Tenho medo de dormir e encontrar você
Sempre desperto, passos e sorrisos à frente
Sorrateiro e belicoso ao me perseguir
Manchas no meu lugar predileto

Fora muitas as mentiras em que me envolvi
Continuo tendo pavor das verdades, sou covarde
Porém, ah, porém, ouvi que era bela e audaz
Ironia? As mãos dadas são crueldade, andam por lá
Não me esconderei, não gritarei e até fingirei algum respeito

Foram muitas as madrugadas em que não dormi
E são vastas as manhãs ensolaradas, quentes, tranquilas... E sem você.


Natasha Barbosa

segunda-feira, 23 de maio de 2011

DAS ENTRANHAS SUPERFICIAIS

Paixão, amor...

Creio em páginas de perfumes antigos e novos

Busco conteúdos puros e devassos

Letras que avassalam meus órgãos

Trocam as veias de lugar alterando os percursos

Gerando lágrimas e outras unidades.

Paixão, amor...

Tudo que impulsiona minha respiração

E o nada que me inclina aos outros

Fui dada a uma ilusão viva, pequena, feliz

Tão normal a minha ilusão que parecia real.

Paixão, amor...

Sou força a seguir versos, contos,

Olhos de força, de vida, muito luminosos

Sou o pincel a me colorir no ar da esperança

Sou aquela que não nega o passado,

Mas que a cada dia vindo o desconhece.


Por Natasha Barbosa

terça-feira, 26 de abril de 2011

Quase não posso me lembrar.




Fui a um parque de diversão, não era bonito nem feio, era um parque. Dentro de mim nada se movida, e muitas bolas coloridas me mostravam o caminho dos brinquedos mais atraentes. Não me lembro muito bem quem estava comigo, acho que era ele. Mas acredito que ele não lembraria tanto assim de mim. No chão de pedrinhas picadas entre meus pedacinhos de eus construíam caminhos que me levavam pra longe.
Sei que não posso me lembrar muito bem, mas as vezes me lembro bem. Meu vestido era verde quase azul e ele vestia uma camisa vermelha, triste camisa vermelha. Acho que era o fim da tarde, naquela hora inesata que o sol fica alaranjado. O sol não era amarelo, nem a lua azul. Tudo me parecia um tanto rosado, menos eu.
Entrei em muitos brinquedos, não ri, eu já sabia de tudo. Não posso mentir que já sabia. Seus risos ironizavam tudo aquilo, e o cor de rosa foi ganhando um tom azulado, escuro. Mas não poderia me lembrar, fiz força pra esquecer. Meus pés poderiam ter ido em tantas direções que mal poderia dizer  porque não fui, excesso opções confundem decisões difíceis. Não poderia optar. Fiquei.
Naquele banco de tábuas paralelamente pregadas, me sentei. Ao lado da minha mão direita tinha um risco na madeira em forma de coração. La estava escrito um “p” pouco torto e um “s” escrito com força. O “s” provavelmente era muito amado ou odiado, tanto que entortou o “p”. Ele segurou a minha mão. Enterrou seus olhos no infinito. Não poderia ser mais claro. Sumiu. Não poderia me Lembrar de nada após isso, sumiu na minha memória. Não sei,  não vi. Sinceramente não me lembro de nada.
Realmente não me lembro desse dia, de bolas coloridas, camisa vermelha e céu que agora é negro.

JULIANA SANCHES