
Acordei com um pequenino raio de Sol na mente, era lindo, luminoso. E ficava escondido, trêmulo, entre as camadas de lembranças e sensações.
Apesar do seu sorriso, de todos os bons momentos que passamos juntos e da imensa vontade que sinto de acariciá-lo, a sua luz fica escondida em mim. Deixar que ela cresça e tome forma não parece uma opção viável, por isso tento manter a outra d'eu em sua devida submissão.
Até esta manhã as posições estavam adequadas, nada parecia antecipar a evolução. Levantei com a mesma sede de café, encarei as escolhas com o sorriso comedido de sempre e não fui infeliz nos movimentos corriqueiros. Mas também não fui feliz, o meu correto é estar. Por que insisto nisto? Hoje - talvez apenas por hoje - acredito que possuo um lugar no mundo, não só o tenho como estou nele. Aqui sou completa não importando se estou serelepe ou tristonha, posso estar alheia a mim e ainda assim serei inteira. Um vazio preenchido por outros vazios. O pequenino luminoso não domina o espaço e nem agride aos outros que ali estão, mas ele cresceu. Continuo meu ser ativo, passeio entre os locais internos e externos sem muito alarde: um dia a mais do meu lugar no mundo.
Mas ele cresce.
Não estamos diante de uma revolução, de uma catástrofe ou qualquer outro evento que mereça a impressão, existem sentenças mudas e invisíveis.
Mas você cresceu.
Carrego comigo a luz que espera fugir, ela deseja ser generosa ao berrar alegrias no mundo... E também deseja ser egoísta com a concretização das suas pragas, nem todas as palavras são alegres (confuso?). Como ceder ante tal loucura? Ouvi que o corpo sempre dá um jeito de colocar à tona os escondidos, aquilo que guardamos esperando perder para sempre. Na pele pálida já possuo algumas marcas, erupções dos segredos socados fundo. Mesmo no desespero há um lado que raciocina e diz "Fundo. Ainda não é fundo o bastante! Bata, empurre mais. Engula o choro, menina."
O tempo passava como sempre, ante as surpresas e constatações nada fiz de diferente. Luz minha, irradia a beleza daquele olhar; pequena luz, faça o milagre da multiplicação no cristal das risadas dele. No meio do dia li do poeta os versos que inevitavelmente a tudo desencadearam:
"... sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme."
Não há um deus que dorme. Em mim você está acordado e agora a sua luz resplandece, invade todos os ocupados, os vazios e apesar do brilho cego, a tudo enxergo. Vamos ser honestos? Adoro fingir a crédula que em nada se firma. Sei o meu lugar no mundo: amo a mãe, a velhice deles, os cachos companheiros e gosto muito, muito, muito mesmo de você.
Apesar do seu sorriso, de todos os bons momentos que passamos juntos e da imensa vontade que sinto de acariciá-lo, a sua luz fica escondida em mim. Deixar que ela cresça e tome forma não parece uma opção viável, por isso tento manter a outra d'eu em sua devida submissão.
Até esta manhã as posições estavam adequadas, nada parecia antecipar a evolução. Levantei com a mesma sede de café, encarei as escolhas com o sorriso comedido de sempre e não fui infeliz nos movimentos corriqueiros. Mas também não fui feliz, o meu correto é estar. Por que insisto nisto? Hoje - talvez apenas por hoje - acredito que possuo um lugar no mundo, não só o tenho como estou nele. Aqui sou completa não importando se estou serelepe ou tristonha, posso estar alheia a mim e ainda assim serei inteira. Um vazio preenchido por outros vazios. O pequenino luminoso não domina o espaço e nem agride aos outros que ali estão, mas ele cresceu. Continuo meu ser ativo, passeio entre os locais internos e externos sem muito alarde: um dia a mais do meu lugar no mundo.
Mas ele cresce.
Não estamos diante de uma revolução, de uma catástrofe ou qualquer outro evento que mereça a impressão, existem sentenças mudas e invisíveis.
Mas você cresceu.
Carrego comigo a luz que espera fugir, ela deseja ser generosa ao berrar alegrias no mundo... E também deseja ser egoísta com a concretização das suas pragas, nem todas as palavras são alegres (confuso?). Como ceder ante tal loucura? Ouvi que o corpo sempre dá um jeito de colocar à tona os escondidos, aquilo que guardamos esperando perder para sempre. Na pele pálida já possuo algumas marcas, erupções dos segredos socados fundo. Mesmo no desespero há um lado que raciocina e diz "Fundo. Ainda não é fundo o bastante! Bata, empurre mais. Engula o choro, menina."
O tempo passava como sempre, ante as surpresas e constatações nada fiz de diferente. Luz minha, irradia a beleza daquele olhar; pequena luz, faça o milagre da multiplicação no cristal das risadas dele. No meio do dia li do poeta os versos que inevitavelmente a tudo desencadearam:
"... sem ler nada, nem pensar em nada, nem dormir
Sentir a vida correr por mim como um rio por seu leito
E lá fora um grande silêncio como um deus que dorme."
Não há um deus que dorme. Em mim você está acordado e agora a sua luz resplandece, invade todos os ocupados, os vazios e apesar do brilho cego, a tudo enxergo. Vamos ser honestos? Adoro fingir a crédula que em nada se firma. Sei o meu lugar no mundo: amo a mãe, a velhice deles, os cachos companheiros e gosto muito, muito, muito mesmo de você.
Natasha Barbosa
Arte do pintor Martin Eder
acho q desconheço o uso adequado das vírgulas...
ResponderExcluirAmiga, isso se chama licença poética. Você é artista!
ResponderExcluirNatasha, todas suas histórias são confissões. Talvez desonestas, porque honestidade é ponto de vista.
ResponderExcluirO sol que brilha lá no fundo da gente está isento de julgamento de valor, até que a gente ouse atacá-lo com palavras. Alguns preferem escondê-lo, e estes serão submetidos à sua força criadora e destruidora. Outros preferem ficcionalizá-lo, ou até cientificizá-lo: como Freud, com sua teoria do sol/inconsciente...
Seja como for, estamos aí para falar do grande NADA que nos habita. Preenchendo-o de camadas e estruturas, através da linguagem. É preciso domeesticar o sol, como se ele fosse um leãozinho que crescesse em nossa casa. Ele pode nos comer, é um risco, mas faz parte...
Daniel, sou sua fã! Todos os seus comentários são sempre maravilhosos.
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