quinta-feira, 7 de abril de 2011

Bom dia com açúcar e sem afeto

Bom dia com açúcar e sem afeto

De manhã eu levantei, fiz café e lavei a louça

Hoje eu acordei e não voltei a dormir

Não por tristeza penso no sono, no frio da chuva e na paz dos sonhos esquecidos

Ando e considero cada levantar uma celebração, hoje eu levantei e andei

Como não pensar em voltar?

Tentei me sabotar com alegres ilusões de perfídia

Sentada e sentindo o Sol aquecer meus dedos

Penso que sou construída de sonhos e pele, sou leve

Não é só por beber o café ou escrever ou ler com prazer

Não somente pela força que se faz luta e pelos ferimentos que cantam vitória

É que todo dia luto para lembrar, para esperar, para aceitar e não gritar

São batalhas de esperança de vida

Caminhos que desabam aos movimentos de paixão

Não espero erguer firmezas, apenas levanto e ando

Somos justamente quem não queríamos ser

Conheço aquelas que me adotaram, vestiram e criaram

Tanto digo conhecer que anseio as horas, as falas e as comidas que nos unem

Em nossas conversas, a pressa se transforma no infinito de ouvir e ser espelhado

Quem não quer enxergar? Quem não quis?

Veriam meus olhos vazios, haveria vermelhidão e cansaço

Mas hoje eu acordei: não foi luta, é vida.


Natasha Barbosa

2 comentários:

  1. Natasha,

    em cada ato ínfimo da vida a sublimidade nos espreita. Somos fantoches de um teatro celeste, encenando uma peça que não conhecemos, para a diversão de alguém que nos espreita do escuro.

    Mas de alguma forma estranha sabemos que alguém nos olha, e que devemos encenar, apesar de tudo. Sentindo a iminência de algo que talvez nunca virá...

    Beijão...

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