Fui a um parque de diversão, não era bonito nem feio, era um parque. Dentro de mim nada se movida, e muitas bolas coloridas me mostravam o caminho dos brinquedos mais atraentes. Não me lembro muito bem quem estava comigo, acho que era ele. Mas acredito que ele não lembraria tanto assim de mim. No chão de pedrinhas picadas entre meus pedacinhos de eus construíam caminhos que me levavam pra longe.
Sei que não posso me lembrar muito bem, mas as vezes me lembro bem. Meu vestido era verde quase azul e ele vestia uma camisa vermelha, triste camisa vermelha. Acho que era o fim da tarde, naquela hora inesata que o sol fica alaranjado. O sol não era amarelo, nem a lua azul. Tudo me parecia um tanto rosado, menos eu.
Entrei em muitos brinquedos, não ri, eu já sabia de tudo. Não posso mentir que já sabia. Seus risos ironizavam tudo aquilo, e o cor de rosa foi ganhando um tom azulado, escuro. Mas não poderia me lembrar, fiz força pra esquecer. Meus pés poderiam ter ido em tantas direções que mal poderia dizer porque não fui, excesso opções confundem decisões difíceis. Não poderia optar. Fiquei.
Naquele banco de tábuas paralelamente pregadas, me sentei. Ao lado da minha mão direita tinha um risco na madeira em forma de coração. La estava escrito um “p” pouco torto e um “s” escrito com força. O “s” provavelmente era muito amado ou odiado, tanto que entortou o “p”. Ele segurou a minha mão. Enterrou seus olhos no infinito. Não poderia ser mais claro. Sumiu. Não poderia me Lembrar de nada após isso, sumiu na minha memória. Não sei, não vi. Sinceramente não me lembro de nada.
Realmente não me lembro desse dia, de bolas coloridas, camisa vermelha e céu que agora é negro.
JULIANA SANCHES

Gosto mto desse texto, em especial como o céu vai mudando... Ju, parabéns, belo texto!
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